A última lembrança que tenho é de ver meu pai, da janela lateral do carro, chorar olhando pra mim.
Essa foi a imagem que da minha cabeça não saiu desde o dia do adeus.
Mas isso iria acabar de vez quando, do quarto de minha mãe,ouvi o telefone tocar.
Encostei-me na porta do quarto e fiquei ouvindo a voz de minha mãe.
Nada chamava mais atenção do que a doce voz que, infelizmente, não herdei dela.
Então ela me chamou para contar algo
Sentei ao lado dela e um grande sorriso se abriu em meu rosto.
Não poderia haver notícia melhor que aquela : meu pai,que a anos não via,iria voltar da guerra!
Saí correndo e fui logo me deitar.
Não via a hora de acordar para poder vê-lo.
Na manhã do esperado dia, logo ao me levantar, fui olhar pela janela se havia algum sinal de meu pai.
Por enquanto, nada.
Encostada no cômodo de olho em tudo lá fora, ouvi um doce sussurro soar em meu ouvido.
Era minha mãe, afirmando que meu pai estava a caminho.
Os olhos dela brilhavam e ela deve ter percebido a mesma coisa nos meus.
Foi quando, nesse mesmo momento, ouvi uma buzina muito alta.
Com certeza era ele.
Correndo,fui abrir a porta e, ao abri-la, suspirei sorrindo,meu pai está aqui comigo.
Ingrid Bento Medeiros
Lindo texto, me emocionei do inicio ao fim...
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